| Arthur Pereira e Oliveira |
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Nasceu em Florianópolis, em 30 de agosto de 1909. Médico, iniciou sua carreira em Florianópolis, em 1933, quando ingressou no Hospital de Caridade. Escreveu trabalhos científicos na área médica e dedicou-se a poesia. Membro da Academia Catarinense de Letras, ocupando a cadeira nº 19.
Obras: Canto Liberto; Insatisfação; Cantos e Desencantos. |
Quando disseste que não mais voltavas,
Que do pecado as derradeiras lavas
Já te haviam abandonado a alma,
Agora imersa num cristal de calma,
Eu pude ver ainda um brilho quente,
Fulgurante, irrequieto, irreverente,
Sem leve laivo de horror ou pejo,
A bailar no teu olhar c’o meu desejo.
Se tu voltares, a mão eu vou passar em teu cabelo,
Um gesto simples, mas talvez um elo,
na mais fatal das sucessões dos gestos.
Mas pensa bem! Se a mim não mais quiseres,
Velhos, o que seremos nós, os homens e as mulheres?
Do vicio ou da virtude, um pouco mais que restos.
[in Revista ACL n. 13, 1995]
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Se me não queres mais, porque não dizes
Sem mentiras sutis, e sem cruéis deslizes?
É aceitável se opere tal mudança,
Pois tudo tarda, tudo chega, tudo cansa.
Chega da vida o fim, do amor doce momento,
Chega a fadiga do próprio pensamento.
O amor, da vida é suma intensidade,
Como entender aspire à eternidade?
Muda o que palpita, muda o que é inerte,
Em brusca convulsão, ou compassar solerte.
Seria sem o acaso a hora do teu sim?
E não te impressionem minhas reações.
Irão se diluindo nas balsâmicas lições
Dos filósofos estóicos quando versam o fim.
[in Revista ACL n.13, 1995]
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+ TEMPERA A FRIEZA DA RAZÃO! |
Vem, ó ar!
Acariciar-me a face
Não me deixando sem o cheiro
Das flores que beijaste.
Vem, ó água!
Apagar-me o mal,
Trazendo até mim
A singeleza dos riachos d’hoje
E daqueles da Bíblia
Contendo leite e mel.
Também a imponência
Dos imensos rios
E das paisagens
Que refletem os lagos,
Da humildade
Que alaga os rios
Quando se perdem
No rugir dos mares.
Vem, ó riso das crianças!
E me apazigua a alma.
Venham, ó vidas inconscientes
Das plantas e dos animais!
Indicar-me
O quanto estão em mim.
Venham, ó tempo e espaço!
Dizer-me se sois ou não.
Vem, ó verde de toda terra!
E deixa
Que te dilua em esperança.
Então irei dizer
A tudo que me chega:
Tempera com pitadas de emoção
A imensa frieza da razão
De erros e de culpas saturada.
[in Antologia da ACL, coleção n. 1, 1991, p. 188] |
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